Uma viagem que estive quase para não fazer
Imagem gerada via Grok
Nos contos as masmorras são sempre lugares lúgubres e sombrios, mas a descrição desta ficaria curta. Embora por um par de horas que me restam aqui não me vou queixar. Também não serviria de nada.
Tentaria dormir um pouco mas o barulho que vem do pátio não me permite. Com um pouco de sorte os operários terminam de construir o patíbulo de uma vez e permitem-me echar uma última cabecidinha.
Apenas 50 anos. Não é demasiado para um hobbit, embora suponho que o trasgo que me acompanha não terá a mesma opinião. Jamais pensei que o choro pudesse ser um espetáculo tão lamentável. Repugna-me.
Há anos abandonei o Condado procurando aventuras que avantajassem as desses Bolson de ingrata memória, e quase consegui. E pensar que esta foi uma viagem que estive quase para não fazer! Mas então hoje não seria memorável para milhares de hobbits, anões, magos, elfos e outros habitantes da Terra Média. Nem receberia as suas maldições.
Aos hobbits sempre se nos relegou a um papel menor. Em parte pela proverbial indolência da minha gente; em parte porque, apesar das supostas «feitas» de Frodo e do seu tio, nunca ninguém levou a sério um povo de pequenotes inanes, que por tais fomos sempre considerados. Mas graças a mim, esse maldito estereótipo foi quebrado para sempre.
A partir de hoje toda a Terra Média recordará o hobbit que esteve a ponto de restaurar o poder ao seu legítimo senhor, Sauron.
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